®Marcas PúblicasObservatório municipal · INPI
Painel nacional · RPIs n.º 2.296 a 2.869 · 2015 a 2025

Marcas públicas municipais no INPI

Todos os processos de marca de prefeituras e câmaras municipais publicados pelo INPI na última década, do país à cidade. Escolha uma região, um estado e um município para ver cada pedido, sua situação e os despachos publicados.

Fonte: XML das 574 RPIs
extraído em 23/10/2026
Pesquisa PROFNIT · IFMS
947
Processos
únicos no recorte
1.933
Ocorrências
despachos em RPI
338
Titulares
333 prefeituras e 5 câmaras
335
Municípios
de 5.569 no país
6,0%
Cobertura
dos municípios
22
Estados
de 26 (DF excluído)
Indicador
Depósito
Titular
Tipo de marca
Situação
1×
Role, dê duplo clique ou use + e − para o zoom · arraste para mover · afaste no limite para voltar ao nível anterior
Achados da pesquisa

O que os dados mostram

Os números mostram o que aconteceu, não o porquê. Cada achado leva ao recorte correspondente no mapa ou nas análises.

157: 1
Prefeituras depositam; câmaras quase nunca

São 941 processos de prefeituras para 6 de câmaras municipais (156,8 : 1), distribuídos entre só 5 câmaras no país. A capacidade jurídica é dos dois Poderes (art. 128 da LPI): a diferença é administrativa.

3em cada 4
Pedidos perdidos por falta de acompanhamento

Dos 343 processos com desfecho diverso, 261 (76,1%) caíram por gestão do processo: pagamento, prorrogação e documentos. Só 82 (23,9%) foram recusados pelo sinal escolhido.

46,4%
Quase metade é evento, cultura e turismo

A classe 41 reúne 439 processos. Com a 35 e a 39, as três somam 66,5%. O perfil é de comunicação pública e promoção territorial, mais do que de produto comercial.

142
Depósitos em 2025, o maior da década

Eram 36 em 2015: cerca de 3,9 vezes mais. Só 2025 concentra 26,2% dos 541 pedidos depositados entre 2015 e 2025.

88,2%
Concentração no Sul e no Sudeste

Sul e Sudeste somam 835 processos. RS sozinho tem 306 (32,3%). Amapá, Piauí, Rondônia e Roraima não têm nenhum processo no recorte.

46de 46
Quem faz certo: Gramado

Todos os processos de Gramado/RS terminaram o recorte com resultado favorável: registra nome e logotipo, renova no prazo e cobre as classes do turismo.

Análises · base nacional

Análises da pesquisa

Séries, distribuição territorial, desfechos, prazos e titulares. Cada bloco traz a aba da planilha de origem; linhas de tabela e itens de ranking abrem o recorte no mapa.

Série histórica · 2015 a 2025

Depósitos, deferimentos e concessões por ano

Eventos anuais, não mutuamente exclusivos. Os depósitos passaram de 36 (2015) para 142 (2025).

Fonte: aba "Processos" (ano de depósito e despachos de deferimento e concessão publicados no recorte).
Distribuição federativa

Estados com mais processos

Cinco estados reúnem 773 processos (81,6%); as outras 17 UFs com registro somam 174.

Concentração regional

Sul e Sudeste: 88,2%

Nordeste, Centro-Oeste e Norte somam 112 processos (11,8%); o Norte tem 4.

Ranking municipal

Os municípios com maior volume

Os 12 primeiros reúnem 229 processos (24,2%), com empate no 12.º lugar entre Farroupilha, Socorro e Lages. Vários são destinos turísticos consolidados, o que sugere relação entre atividade marcária e diferenciação territorial, sem que os dados permitam afirmar causalidade.

    Desfechos

    Situação registral dos 947 processos

    Menos da metade (44,1%) terminou o recorte com registro concedido, em vigor ou deferido. Registros que caducaram por falta de prorrogação contam como desfecho diverso.

    Composição geral
    Aba "Insucessos por tipo" · 343 processos
    261
    falhas de gestão do processo (76,1%)
    82
    indeferimentos de mérito (23,9%), 20 mantidos em recurso
    Aba "Situação registral" · 19 situações

    Situação detalhada ao fim do recorte

    Clique em uma linha para ver no mapa só esse grupo de situação.

    Aba "Indeferimentos" · art. 124 da LPI

    Por que o INPI indefere

    Inciso extraído do texto dos 97 despachos de indeferimento do recorte. Metade esbarrou em marca anterior; um quarto foi frase de propaganda. Dos recursos julgados, 14 foram providos e 14 negados.

    Planilha de prazos · corte em 20/10/2026

    Quanto tempo leva no INPI

    Medianas em meses corridos, do depósito à primeira decisão de mérito, nos processos em que o prazo pôde ser medido.

    22,1meses
    sem oposição (695 processos)
    52,6meses
    com oposição (30 processos)
    18,5meses
    decisões publicadas em 2025 e 2026
    2,5meses
    do deferimento à concessão
    O arquivamento por falta de pagamento da concessão (116 processos) acontecia nessa janela curta entre deferimento e concessão. Desde junho de 2025 a concessão é automática e sem taxa final.
    Classificação de Nice

    Processos por classe NCL

    Vocação cultural e territorial

    A classe 41 domina

    Classe 41 (educação, cultura, eventos): 439 processos (46,4%). Com a 35 (146) e a 39 (45), 630 processos (66,5%).

    Em 183 processos (19,3%) a classe não aparece no recorte: são registros antigos que só tiveram prorrogação ou extinção publicada, cuja RPI não repete a classe, e pedidos considerados inexistentes.
    Aba "Tabela síntese"

    Classe, apresentação e natureza por região

    Classe considerada: a primeira publicada do processo. Seis pedidos são de marca coletiva e dois de certificação.

    Executivo e Legislativo

    A assimetria entre os dois Poderes

    156,8 : 1
    Processos únicos: 941 de prefeituras para 6 de câmaras
    213,8 : 1
    Ocorrências em RPI: 1.924 para 9
    66,6 : 1
    Titulares institucionais: 333 para 5
    Aba "Por UF"

    Quantos municípios de cada estado já protocolaram

    ES (19,2%), SC (17,3%) e RS (16,7%) têm as maiores proporções. Clique na linha para abrir o estado no mapa; clique no cabeçalho para ordenar.

    Entes titulares

    Os 338 entes com protocolo e seus CNPJs

    Prefeituras: CNPJ do Município no cadastro de entes do Tesouro Nacional (Siconfi), conferido com a pesquisa de MS. Câmaras: CNPJ da própria Câmara (Interlegis e consulta pública). Confira no cartão CNPJ da Receita Federal antes de usar em documento oficial.

    Aba "Metodologia"

    Como a base foi montada

    Fonte
    XML da seção de Marcas das RPIs n.º 2.296 a 2.869 (jan/2015 a dez/2025), baixado de revistas.inpi.gov.br em 23/10/2026 (574 revistas).
    Universo
    Processos com ao menos uma publicação no recorte cujo titular é o Município ou Prefeitura (Executivo) ou a Câmara Municipal (Legislativo), com UF informada. Ficam fora o DF, autarquias, fundações, empresas públicas, secretarias e demais órgãos com titularidade própria, consórcios, associações, sindicatos e entidades privadas que citam o município no nome.
    Município
    Nome do titular comparado com a lista oficial do IBGE, usando a UF para separar homônimos; grafias atípicas conferidas à mão.
    Situação
    Último despacho com efeito publicado até a RPI 2.869. Notificações não alteram a situação, salvo recurso pendente contra indeferimento.
    Indeferimentos
    Inciso do art. 124 da LPI extraído do texto complementar do despacho.
    Limites
    Processos sem publicação no recorte não aparecem; titulares sem UF não puderam ser atribuídos; natureza e apresentação não são republicadas em despachos de prorrogação ou extinção.
    Aba "Comparação TCC"

    Base da qualificação x base atual

    A base atual veio da leitura integral do XML, e não de busca por termos. Por isso inclui prorrogações e extinções de registros antigos e os pedidos considerados inexistentes publicados no recorte.

    IndicadorQualificaçãoBase atual
    Processos únicos776947
    Municípios distintos283335
    Câmaras municipais45
    Unidades federativas2322
    % dos municípios brasileiros5,1%6,0%
    Sul + Sudeste85,7%88,2%
    Situação favorável51,8%44,1%
    Percentual sobre 5.569 municípios (sem o DF).
    Acervo visual · imagens publicadas pelo INPI

    Acervo de marcas

    As 394 marcas da base que têm imagem (mistas e figurativas) e as 229 marcas nominativas, estas reproduzidas em gravura no padrão do guia, com a situação ao fim do recorte. Filtre por tipo de marca e pelo motivo do indeferimento, do arquivamento ou da extinção. Clique em uma marca para abrir o processo no mapa.

    Imagens: acervo da pesquisa, extraído da base do INPI para os processos do recorte. Marcas nominativas não têm imagem publicada: aparecem como gravura, com o nome conforme a extração (nomes longos terminam em reticências).
    Guia de boas práticas · Partes 1 e 2

    Decidir o que proteger

    Marca é um sinal distintivo que faz as pessoas reconhecerem um serviço, produto, programa, evento ou projeto. Quando o titular é um ente público, como uma prefeitura ou uma câmara municipal, é uma marca pública: pertence à instituição, e não ao gestor. O registro no INPI garante ao titular o uso exclusivo e a gestão da marca, em todo o Brasil, no ramo de atividade protegido.

    Se guardar só uma coisa, guarde esta

    Cinco regras de ouro

    1

    A marca é da instituição

    Nada de nome, foto, iniciais ou lema do prefeito ou do presidente da câmara. O pedido sai no CNPJ do ente público.

    A marca é da cidade, não do mandato.
    2

    Nem tudo precisa ser registrado

    Dê preferência ao que dura mais de um mandato, aparece muito ou corre risco de ser copiado por terceiro.

    Proteja pouco, mas proteja bem.
    3

    Faça o estudo de viabilidade

    Antes de lançar um nome: busca de anterioridade no INPI, vedações legais e definição das classes.

    Pesquise antes de anunciar.
    4

    Registrar é o começo, não o fim

    Alguém precisa acompanhar as publicações semanais da RPI e cumprir os prazos.

    Pedido sem acompanhamento é pedido perdido.
    5

    A marca deve sobreviver ao mandato

    O registro vale 10 anos e pode ser renovado sem limite. Trocar o logotipo a cada gestão apaga a memória da cidade.

    Marca boa atravessa gestões.
    Base legal: CF, art. 37, § 1.º; TCU, Acórdão n.º 1.646/2007; MPC/SC (2021); TCE/SC, Prejulgado n.º 2125; LPI, arts. 128 e 133.
    Capítulo 1

    Signos geralmente encontrados no setor público

    Em regra, podem ser registráveis

    • Marca institucionalLogomarca do próprio órgão (prefeitura, câmara, secretaria).
    • Programa públicoNome de programa, projeto educacional ou campanha de saúde.
    • Evento oficialFestival, feira ou festa promovida pelo ente.
    • Selos, aplicativos e plataformasSelo municipal ou de certificação, aplicativo de serviços, portal ou plataforma digital.

    Depende do caso*

    • Identidade territorialNome da cidade, epítetos urbanos, apelidos e slogans turísticos.
    • Identidade visual de governoLogotipo, cores e assinatura visual da gestão.

    * Pode ser registrado se houver sinais distintivos suficientes, sem traços de promoção pessoal nem enquadramento nas vedações do art. 124 da LPI.

    Não registráveis ou vedados**

    • Nome genéricoExpressão comum, sem suficiente forma distintiva (LPI, art. 124, VI).
    • Símbolos oficiaisBrasão, bandeira e hino, inclusive em parte, até pelo próprio ente (LPI, art. 124, I).
    • Promoção pessoalNome, foto, lema ou slogan da gestão (LPI, art. 124, VII e XV; CF, art. 37, § 1.º).

    ** São as vedações mais usuais para entes públicos, não as únicas: o art. 124 traz outras, como imitação de marca anterior (XIX) e falsa indicação de procedência (X).

    Só o nome ou nome com desenho?
    Nominativa · processo 904046621
    Mista · processo 903319098

    Nominativa: protege as palavras, em qualquer letra ou cor. Mista: protege o conjunto de palavras e desenho. Também existem a figurativa (só o desenho), a tridimensional (a forma do objeto) e a de posição; para órgãos públicos, as mais usadas são a nominativa e a mista.

    Gramado registrou NATAL LUZ GRAMADO nas duas formas, e as duas seguem em vigor. Quando o nome é forte, vale proteger os dois.
    O que o registro garante
    • Uso exclusivo no país, nos serviços escolhidos
    • Recusa de pedidos parecidos feitos por outros
    • Base para autorizar parceiros e patrocinadores
    • Proteção por 10 anos, renovável sempre
    • Não garante exclusividade sobre palavras comuns, como "festa"
    • Não garante que ninguém vai copiar: é preciso vigiar
    • Não é licença para promover o gestor
    • Não é proteção eterna: sem renovação, acaba
    Base legal: LPI, arts. 122, 124, 128, 129 e 133; Manual de Marcas, itens 2.3 e 5.8.
    Capítulo 4 · ferramenta interativa

    Devo registrar?

    Responda às quatro perguntas, nesta ordem. Um "não" tira o sinal do caminho do registro e mostra um caso real. Registre cada resposta por escrito, com data, no processo administrativo do sinal: um "não" bem justificado também protege o gestor.

    Exemplos de casos reais. Os exemplos que aparecem nas respostas são processos verdadeiros de prefeituras e câmaras municipais, publicados pelo INPI na RPI (2015 a 2025), com o número do processo para conferência no pePI.
    Capítulo 5 · casos reais

    Pode ou não pode?

    A registrabilidade é analisada caso a caso pelo INPI, conforme o sinal, os serviços pedidos e as marcas já existentes. Ainda assim, os motivos se repetem: de 2015 a 2025, o INPI negou 97 pedidos de prefeituras e câmaras. Metade esbarrou em marca anterior (art. 124, XIX); um quarto foi sinal de propaganda (art. 124, VII). A imagem e a situação de cada caso vêm da base da pesquisa.

    Exemplos de casos reais. Todos os cartões abaixo são pedidos reais de municípios, extraídos da base do INPI: a imagem, a classe, o número do processo e a situação vêm da publicação na RPI. Use "Ver no mapa" para abrir o processo completo.
    Pedido negado? Cabe recurso. O indeferimento não encerra o caso: com bom argumento, vale recorrer. Na pesquisa, dentro do recorte, foram 14 recursos providos e 14 negados. Prazo: 60 dias da publicação do indeferimento na RPI. No recurso, o INPI reexamina tudo e pode apontar novo motivo de recusa (Manual de Marcas, item 7.2).
    Recorrer tem custo. O recurso exige nova GRU: R$ 700 por classe no valor cheio; o órgão público paga R$ 350, com o desconto. Confira o valor vigente na tabela do INPI antes de emitir a guia.
    Como aparece o indeferimento na RPI

    Exemplo: indeferimento do processo 921831676 (Dois Irmãos/RS) como sinal de propaganda, com o fundamento legal no texto do despacho: "A marca é constituída por sinal ou expressão de propaganda, irregistrável de acordo com o inciso VII do art. 124 da LPI". Fonte: RPI n.º 2.649, fl. 3159. Nos cartões de processo do mapa, cada indeferimento traz o inciso e o motivo explicado.

    Base legal: LPI, art. 124, I, VI, VII e XIX; CF, art. 37, § 1.º; Manual de Marcas, item 5.9.4.
    Capítulo 6

    Em nome de quem?

    Em regra, o registro sai em nome da Prefeitura (Município) ou da Câmara Municipal. O consórcio público é exceção. Use o nome exatamente como consta no cartão CNPJ da Receita Federal; a tabela de entes, nas Análises, traz o CNPJ de cada titular da base.

    Regra

    Prefeitura e secretarias: em nome do Município, com o CNPJ dele.
    Câmara: em nome da Câmara, com o CNPJ dela.

    Exceção

    Roteiro de vários municípios: consórcio público como titular. A cotitularidade é admitida (Portaria INPI/PR n.º 8/2022, cap. IX), mas exige assinatura de todos ou procurador comum e não cabe em marca coletiva.

    Nunca em nome de

    Prefeito ou vereador, servidor público, procurador ou advogado contratado, parceira sem autorização do ente.

    Titular: o ente público dono da marca (Município ou Câmara).
    Representante: quem age em nome do ente por força do cargo: prefeito ou presidente da câmara. Assina a procuração.
    Procurador: quem pratica os atos no INPI com procuração. É sempre único no processo, mesmo com vários titulares.
    Evento com produtora ou patrocinador: recomenda-se manter o registro em nome do Município; o parceiro recebe autorização de uso, por contrato. Padronização do nome: sugere-se usar o nome exatamente como consta no cartão CNPJ do ente.
    Quando o parceiro registra primeiro: Campina Grande/PB. A empresa que promovia o São João registrou em nome próprio "Campina Grande O Maior São João do Mundo" (concedida em janeiro de 2021), e a prefeitura só soube meses depois. Para evitar: faça o estudo de viabilidade e, quando pertinente, deposite o pedido em nome do ente antes da contratação; preveja no contrato que a contratada não pode depositar sinais ligados ao evento e vigie a RPI para apresentar oposição em 60 dias (MEDEIROS, 2021; LEON, 2022).
    Capítulo 7

    Como montar o pedido

    Quatro escolhas. Na dúvida: marca de serviço, na classe em que o órgão vai usar.

    1. A formaSó o nome (nominativa), nome com desenho (mista) ou as duas. Também existem a figurativa, a tridimensional e a de posição, menos usadas por órgãos públicos.
    2. O tipo (natureza)Produto ou serviço identifica o que o próprio titular oferece, e é a predominante entre os entes públicos. Coletiva identifica o que vem dos membros de uma entidade (associação, cooperativa, consórcio) e exige regulamento de uso; Conceição da Barra/ES perdeu 6 marcas coletivas sem regulamento. Certificação atesta conformidade com normas técnicas e exige documentação técnica.
    3. A classeCada tipo de serviço tem um número na Classificação de Nice (NCL). Cada classe é um pedido e uma taxa diferentes. Mais usadas, apenas como exemplos: 41 (eventos, cultura, esporte), 35 (publicidade, feiras, gestão), 39 (turismo e passeios), 38 (transmissão de TV e rádio), 9 e 42 (aplicativos e sites).
    4. A descriçãoUse a lista pronta do INPI (especificação pré-aprovada): a taxa cai quase pela metade. Depois do depósito, a especificação não pode ser ampliada nem trocada; só restringida, por petição.
    Base legal: LPI, arts. 123, 128, 147 e 148; NCL (INPI, 2025); Manual de Marcas, item 3.5.
    Guia de boas práticas · Partes 3 e 4

    Preparar e protocolar

    Antes do protocolo, o pedido passa por decisões internas. Cada uma deixa um registro no processo administrativo do sinal.

    Capítulo 8

    Da demanda ao protocolo

    1. DemandaUm setor propõe proteger um nome, logotipo, programa ou evento.
    2. Avaliação do interesse públicoA autoridade verifica se o signo atende a interesse público duradouro.
    3. Designação do servidor responsávelPortaria nomeia o responsável e o eventual suplente pelas marcas.
    4. Estudo de viabilidadeBusca de anterioridade, vedações legais, classes e número de guias.
    5. Dotação orçamentáriaConfirmação de crédito para todas as guias previstas.
    6. Autorização do gestorDecisão motivada do prefeito ou do presidente da câmara (modelo em Ferramentas).
    7. Etapas do protocoloExecução das seis etapas operacionais, logo abaixo.
    Critério de decisão: há um responsável nomeado para acompanhar a RPI? Se não, o protocolo deve esperar. Protocolar sem condição de manter o pedido é o padrão que a pesquisa encontrou na maior parte dos insucessos.
    Capítulo 9

    Estudo de viabilidade

    Responde se o sinal pode ser registrado, em quais classes e quantas guias serão necessárias.

    Como fazer a busca no INPI
    1. Acesse a busca de marcas: busca.inpi.gov.br/pePI
    2. Clique em Marca e escolha a pesquisa (exata ou radical).
    3. Digite o nome pretendido e, se quiser, a classe NCL.
    4. Anote número, titular, classe e situação dos parecidos.
    Tipos de pesquisa
    • Exata: só a mesma grafia.
    • Radical: contém a palavra ou parte dela; a mais segura para o estudo. "MAGIA" encontra MAGIA DO NATAL e MAGIA DE NATAL BLUMENAU.
    • Avançada: combina campos com E, OU e NÃO.
    • Aproximada: grafias e sons parecidos (NATAL e NATTAL; KIKITO e QUIQUITO).
    O estudo contém
    • Busca de anterioridade com data.
    • Vedações do art. 124 da LPI e impessoalidade (CF, art. 37, § 1.º).
    • Classes NCL e especificações pré-aprovadas.
    • Nota técnica: sinal, resultado, vedações, classes, número de guias, custo e recomendação.
    A busca é feita por classe. Marcas iguais podem conviver em classes diferentes se não houver risco de confusão. Por isso, pesquise nas classes em que o órgão vai atuar e também nas classes afins: eventos na 41 e publicidade ou feiras na 35 podem gerar conflito mesmo em classes diferentes. O exame compara grafia, som e ideia (art. 124, XIX). Fique só com as classes de uso efetivo: depois de 5 anos da concessão sem uso, a marca fica sujeita à caducidade (art. 143).
    Ferramenta · capítulos 10 e 11

    Simulador de custo para a dotação

    Valores com o desconto de 50% para órgãos públicos (Portaria INPI/PR n.º 10/2025), na tabela de outubro de 2026. Confira a tabela vigente antes de emitir a guia.

    A concessão é automática e sem taxa final desde junho de 2025. A renovação é despesa de outro exercício: preveja no calendário de marcas.
    Valor a prever
    R$ 440
    Capítulo 10

    Orçamento e pagamento

    • Previsão: a despesa deve estar na LOA, compatível com a LDO e o PPA. Pedido e renovação são despesas de exercícios diferentes.
    • Natureza da despesa: ponto a fechar com a contabilidade. Exemplo pelo plano de contas do TCE-MS: 3.3.90.39 (Outros Serviços de Terceiros, Pessoa Jurídica).
    • Fluxo: empenho, liquidação e pagamento antes do vencimento da guia, com o comprovante juntado ao processo.
    • Câmara: paga com o próprio orçamento, formado pelos duodécimos (CF, arts. 29-A e 168), com o Presidente como ordenador da despesa.
    Capítulo 11

    Quem executa o pedido

    Pagar a retribuição ao INPI não é contratação e não passa por licitação; contratar quem faça o serviço, sim.

    • Execução própria: a procuradoria ou um servidor designado conduz o pedido no e-INPI. É o caminho mais barato.
    • Contratação: segue a Lei n.º 14.133/2021, com ETP, estimativa de preço e justificativa. Pelo valor, costuma caber dispensa até R$ 65.492,11 em 2026 (art. 75, II; Decreto n.º 12.807/2025).
    • Separe taxas de honorários: o contrato cobre só o serviço e as GRUs são emitidas e pagas pelo próprio ente, garantindo o desconto de 50%.
    • Acompanhamento: é possível contratar monitoramento continuado; recomenda-se que vá ao menos até a concessão.
    Reunir taxas, honorários e acompanhamento "durante o decênio" num só objeto faz o pagamento ao INPI depender da execução do contrato.
    Procuração

    O INPI exige procuração

    • Dados do outorgante (Município ou Câmara) e do outorgado, poderes, data, local e assinatura (Código Civil, art. 654, § 1.º).
    • Prazo: até 60 dias contados do protocolo, independentemente de aviso do INPI, sob pena de arquivamento (LPI, art. 216, § 2.º). Não confundir com a exigência formal: 5 dias corridos da publicação na RPI.
    • Data: igual ou anterior à do protocolo. Se posterior, deve ratificar os atos já praticados (Manual de Marcas, item 5.6.1).
    • Anexe o ato de vínculo: contrato, termo de posse do procurador ou portaria de designação.
    O pedido no INPI não é ato privativo de advogado: pode ser conduzido pela própria parte ou por servidor designado. Ainda assim, é altamente recomendável que seja feito por um jurídico especializado na área.
    Lei autorizativa

    Precisa de lei?

    Não para depositar e pagar a marca própria: basta crédito orçamentário, decisão motivada da autoridade e o rito da despesa.

    Depositar e pagar a marca própriaNão
    Normatizar o uso institucionalNão: decreto ou ato da Mesa
    Licenciar a terceiros com contrapartidaDepende da lei local
    Instituir símbolos oficiaisSim, lei municipal
    Pagar por adiantamentoSim, lei local do regime
    Capítulo 12

    O protocolo em seis etapas

    Com as decisões internas tomadas, o pedido é feito pela internet. Recomenda-se que o formulário seja preenchido por um servidor e só enviado depois da conferência de um segundo servidor ou da procuradoria.

    Guia de boas práticas · Partes 5 e 6

    Acompanhar e cuidar da marca

    O INPI não avisa por carta nem por e-mail: tudo sai na Revista da Propriedade Industrial (RPI), publicada toda terça-feira, e o prazo conta da publicação.

    Capítulo 13 · acompanhe

    Fluxo processual no INPI

    Atenção

    Tudo sai na RPI (Revista da Propriedade Industrial), publicada toda terça-feira; o INPI não avisa por carta nem e-mail. Os prazos contam sempre da publicação.

    Exigência formal: 5 dias*
    Oposição e manifestação: 60 dias* cada
    Se houver exigência, segue para a etapa 5
    Exigência de mérito: 60 dias*
    Indeferido: recurso em 60 dias*
    Deferido: concessão automática, sem taxa

    Clique em uma etapa para ir direto à explicação.

    1

    Protocolo. Gera o número do processo e a data de depósito. Guarde o comprovante.

    2

    Exame formal*. Verifica apenas as condições formais do protocolo (dados do requerente, do procurador e da marca, classe e documentos), sem avaliar se a marca pode ser registrada (Manual de Marcas, item 4). Se houver falha, o INPI pode pedir:

    • Procuração ausente ou com vício
    • Ato de vínculo ou de representação
    • Nova imagem da marca, no padrão
    • Correção de dados do titular ou da classe

    Prazo: 5 dias corridos da publicação da exigência (LPI, art. 157; Manual de Marcas, item 4.3). Não cumprida, o pedido é considerado inexistente.

    Atenção: GRU não paga ou paga após o protocolo gera indeferimento de plano.

    3

    Publicação do pedido e oposição. Publicado o pedido, abre-se o prazo de 60 dias para a oposição: é o momento de saber se algum interessado é contra o registro pedido. Fundamentos mais comuns (LPI):

    • Marca anterior parecida (art. 124, XIX)
    • Uso anterior de boa-fé (art. 129, § 1.º)
    • Marca notoriamente conhecida (art. 126)
    • Demais vedações do art. 124
    Direito de resposta: o requerente (quem depositou o pedido) pode se manifestar em 60 dias da publicação da oposição na RPI (LPI, art. 158, § 1.º).
    4

    Exame de mérito. É aqui que o INPI avalia, de fato, se a marca pode ser registrada (Manual de Marcas, item 5.7; Portaria INPI/PR n.º 8/2022, art. 25):

    • Liceidade, distintividade e veracidade
    • Disponibilidade (marcas anteriores)
    • Oposições e manifestação
    • Documentos obrigatórios
    5

    Exigência de mérito (etapa eventual: pode ou não ocorrer). Se o INPI precisar de ajuste ou esclarecimento, pode pedir:

    • Adequar ou restringir a especificação
    • Comprovar legitimidade (LPI, art. 128)
    • Autorizações (nome, imagem, obra)
    • Regulamento de uso (coletiva ou certificação)
    • Esclarecer elementos da marca
    • Outros documentos do despacho

    Prazo: 60 dias da publicação da exigência (LPI, art. 159; Manual de Marcas, item 5.19). Não cumprida, o pedido é arquivado.

    6

    Decisão. O INPI decide o pedido e, se houver, julga a oposição.

    Deferimentosegue para a concessão
    Deferimento parcialsó para parte dos serviços: cabe recurso
    Indeferimentocabe recurso

    Recurso: 60 dias da publicação da decisão, com nova GRU; o INPI reexamina tudo.

    7

    Concessão e certificado (7 e 8).

    Concessão na RPIautomática e sem taxa*
    ›
    Certificado de registrodigital, no e-INPI (Manual, item 6.1)
    ›
    10 anos de vigênciada publicação da concessão

    * Pedidos deferidos a partir de 22/06/2025 (Portaria INPI/PR n.º 10/2025).

    9

    Renovação. No último ano de vigência ou nos 6 meses seguintes, com taxa maior.

    * Prazos contados da publicação na RPI. Após o exame formal, o processo passa a constar da base do INPI.

    Quanto tempo leva

    Tempo até a decisão

    30 a 45dias
    do protocolo ao exame formal (estimativa da prática recente)
    22,1meses
    mediana até a decisão, sem oposição
    52,6meses
    mediana até a decisão, com oposição
    2 a 4anos
    de acompanhamento até a decisão, conforme haja oposição
    Base: planilha de prazos da pesquisa, processos decididos (695 sem e 30 com oposição); tempos contados da data de depósito.
    A perda de prazo pode gerar o indeferimento do pedido ou a extinção do registro.
    Ferramenta

    Calculadora de prazo

    Prazo final
    Informe a RPI ou a data

    Estimativa. Considera fins de semana e feriados nacionais (incluídos Carnaval, Sexta-feira Santa e Corpus Christi); não considera feriados locais do Rio de Janeiro nem suspensões de prazo do INPI. A RPI sai às terças-feiras: a data é calculada a partir da RPI 2.296, de 06/01/2015.
    Publicou na RPI

    O que fazer em cada despacho

    DespachoPrazoO que fazerSe não fizer
    Exigência formal5 dias corridosCumpra o que foi pedido.Pedido inexistente.
    Exigência de mérito60 diasResponda ao INPI.Arquivamento.
    Oposição de terceiro60 diasManifeste-se; recomenda-se cientificar a procuradoria, se não houver serviço especializado.Decisão sem a defesa do órgão.
    Indeferimento60 diasAvalie o recurso.Recusa definitiva.
    Deferimento parcial60 diasAvalie recorrer da parte negada.Registro só com o que foi deferido.
    Procuração não juntada60 diasConta do protocolo, sem aviso do INPI.Arquivamento.
    DeferimentonenhumA concessão é automática desde junho de 2025. Não cabe recurso.
    Fim da vigência+ 6 mesesPague a prorrogação.O registro acaba.
    Base legal: LPI, arts. 133, 157, 158, 159, 169, 212, 216, 221, 224 e 226; Manual de Marcas, capítulo 4 e item 7.2.1.
    Capítulo 14

    Os seis erros que mais derrubam pedidos

    Na última década, 343 processos se perderam. Seis erros explicam todos eles. Percentuais sobre os 343.

    Caso real · Joinville/SC

    Um esquecimento derruba tudo

    As marcas JOIN.VALLE e JOINVALLE foram pedidas em quatro classes cada. Os oito pedidos tramitaram e caíram juntos.

    20168 pedidos protocolados
    RPI 2.362publicados
    RPI 2.457aprovados
    RPI 2.483arquivados sem a taxa final
    E quem faz certo?
    Troque experiências com um município que faz certo: é o caminho mais barato para organizar a rotina.
    Capítulo 15

    Use bem a marca

    O registro protege a marca contra os outros. Contra o mau uso dentro do próprio órgão valem uma norma simples e um manual de identidade visual.

    • Decreto ou resolução: quem cuida, como se decide e o que é proibido.
    • Manual de identidade: versões do logotipo, cores e usos proibidos.
    • Cláusulas contratuais: autorizam e disciplinam o uso por parceiros e patrocinadores.
    • Não use: nome, foto, assinatura, iniciais ou lema do gestor; referência a mandato ("Gestão 2025 a 2028"); cores ou símbolos de partido.
    Em ano de eleição, a publicidade institucional tem restrições próprias (Lei n.º 9.504/1997, art. 73, VI, b). O registro da marca não as afasta.
    Capítulo 16

    Prorrogação do registro

    O registro vale 10 anos, contados da concessão, e pode ser prorrogado por períodos iguais e sucessivos, sem limite (LPI, art. 133). O pedido deve ser feito no último ano de vigência; se não for, ainda pode ser feito nos 6 meses seguintes, com retribuição adicional (art. 133, §§ 1.º e 2.º). Sem a prorrogação, o registro se extingue (art. 142, I) e a marca fica livre para terceiros. De 2015 a 2025, 104 registros de 71 municípios acabaram assim.

    18 meses antesalerta para avisar a gestão e prever a despesa
    Último anoprazo ordinário (GRU 374)
    Até 6 meses depoisprazo extraordinário, com taxa em dobro (GRU 375)
    Depoiso registro é extinto
    Ordinária (GRU 374): R$ 500 por classe
    valor cheio R$ 1.000; pago no último ano
    Extraordinária (GRU 375): R$ 1.000 por classe
    valor cheio R$ 2.000; até 6 meses após o fim
    Como pedir a prorrogação
    1. Acesse o sistema de emissão da GRU com o login do órgão no e-INPI.
    2. Emita a GRU com o código 374 (prazo ordinário) ou 375 (prazo extraordinário), informando o número do registro. Uma guia por registro (classe).
    3. Pague a guia dentro do prazo. Não há formulário de petição, novo exame nem nova análise de mérito: o pagamento da GRU é o próprio pedido.
    4. Acompanhe a publicação da prorrogação na RPI e guarde o certificado, emitido em formato digital.
    Casos da base
    Uma vez por ano, guarde provas de uso: fotos datadas, cartazes, publicações. Marca sem uso por 5 anos pode ser cancelada a pedido de terceiro.
    Capítulo 17

    Vigie, defenda e autorize

    O INPI não avisa quando alguém pede uma marca parecida. Quem vigia é o próprio órgão: todo mês, pesquise nomes parecidos, acompanhe produtos, perfis e eventos que usem o nome e, ao fim de cada contrato, verifique se o ex-parceiro parou de usar.

    ProblemaCaminhoPrazo
    Uso do nome sem pedido no INPINotificação extrajudicial; se não resolver, ação judicialimediato
    Pedido parecido publicadoOposição no INPI60 dias
    Registro de terceiro recenteNulidade administrativa no INPI180 dias
    Registro de terceiro mais antigoAção judicial de nulidade5 anos
    Registro de terceiro sem usoPedido de caducidadeapós 5 anos
    Caso real: EU AMO CAMPOS DO JORDÃO foi registrada por um particular, que passou a notificar comerciantes (LEON, 2022).
    Autorização de uso

    Quem quiser usar precisa de autorização escrita

    • Produtora do evento: cláusula no contrato, só durante ele.
    • Patrocinador: cláusula no termo de patrocínio.
    • Associação de produtores: termo de autorização ou licença.
    • Muitos comerciantes: credenciamento público com regras iguais.
    Sugere-se que o instrumento de autorização seja elaborado pelo departamento jurídico competente do órgão.
    Capítulo 18

    Quando a gestão muda

    Mudam as pessoas e as senhas, mas os prazos do INPI continuam correndo. Um termo de transição de uma página evita perdas (modelo em Ferramentas).

    • Responsável: atualiza a lista de marcas e os prazos dos próximos 6 meses.
    • Gestão que sai: entrega o termo de transição.
    • Gestão que entra: confirma o responsável e o suplente. É sempre recomendável designar um servidor efetivo, porque ele permanece quando a gestão muda.
    • Procuradoria: revisa procurações e acessos ao INPI.
    • Chefe do Poder: conhece as marcas antes de pensar em trocar o logotipo.
    Na câmara, a Mesa costuma mudar a cada 2 anos: faça a transição a cada troca. Trocar o logotipo a cada gestão também pesa no INPI: o registro protege a marca exatamente como foi registrada, e o uso de um desenho que altere o caráter distintivo não conta como uso (Manual de Marcas, item 6.5.5). Exemplo: o Município registrou o logotipo A; em 2025, a nova gestão adota um logotipo B bem diferente e abandona o A. Se o A ficar 5 anos sem uso, qualquer interessado pode pedir a caducidade; e o B, se não tiver sido registrado, fica sem proteção.
    Guia de boas práticas · Parte 7

    Câmaras, municípios pequenos e eventos

    Orientações para quem tem menos estrutura ou menos tradição de registro.

    Capítulo 19

    Para as câmaras municipais

    6

    processos de 5 câmaras no Brasil (0,6% do total)

    941

    processos de prefeituras no mesmo período (99,4%)

    • Titular: a Câmara, no CNPJ dela.
    • Autoriza e ordena a despesa: a Presidência.
    • Política de uso: resolução ou ato da Mesa.
    • Orçamento: duodécimos.
    Todos os processos de câmaras na base
    Fora do recorte, como ilustração: a Câmara Municipal de Três Lagoas/MS foi a primeira de MS a protocolar pedido no INPI, segundo esta pesquisa: CÂMARA DE VEREADORES TRÊS LAGOAS - MS (mista, classe 35, processo 944214800, de 24/06/2026, publicado para oposição na RPI 2.900). Não integra as estatísticas.
    Signos da câmara passíveis de registro

    O que a câmara pode proteger

    Os exemplos e as classes indicadas são apenas sugestivos: a classe depende dos serviços que a marca vai identificar, e cada signo merece estudo de viabilidade caso a caso.

    Programas legislativos classes 41 e 35

    Câmara Mirim, Parlamento Jovem, Vereador por um Dia, Câmara Itinerante. Nomes genéricos tendem a ser descritivos: prefira um nome próprio.

    Comunicação institucional classes 38 e 41

    TV, rádio, podcasts e programas da Casa. Classes usuais: 38 (transmissão) e 41 (produção).

    Logomarca do órgão classes 35 e 45

    Logotipo usado em documentos, site, redes, TV e plenário. Brasão ou bandeira, mesmo em parte, não são registráveis.

    Eventos institucionais classe 41

    Sessões solenes temáticas, semanas do Legislativo, prêmios e comendas. Medalhas e insígnias oficiais são vedadas (art. 124, I): registre o nome do prêmio, não o símbolo.

    Escola do Legislativo e cidadania classes 41, 9 e 42

    Escola, cursos e EAD, Câmara nas escolas, ouvidoria, aplicativos e portais. Sem caso no Legislativo da base; costumam exigir as classes 41 e 9 ou 42.

    Como fazer o inventário

    Percorra o site, as redes, os atos da Mesa e as resoluções que criaram programas e os contratos de comunicação. Liste cada sinal, há quanto tempo é usado e se dura mais de um mandato. Depois, aplique o "Devo registrar?".

    Capítulo 20

    Para os municípios pequenos

    Não é preciso um setor dedicado à gestão de marcas: basta um servidor responsável capacitado e um controle de prazos.

    1. Designe por portariaum servidor responsável e, se possível, um suplente.
    2. Registre só o essencialsinais realmente usados e perenes, começando pelos mais relevantes.
    3. Economizeespecificação pré-aprovada, poucas classes e execução própria.
    4. Acompanheas publicações semanais da RPI.
    Proteger um evento em uma classe custa R$ 440 por 10 anos. O desafio não é o valor, e sim a rotina.
    Capítulo 21

    Eventos e marca da cidade

    Quase metade das marcas municipais (46,4%) é de eventos e cultura. Para proteger um evento, registre antes de fechar parcerias e, como reforço, oficialize o evento por lei ou decreto.

    1. Calendário oficialInclua o evento no calendário e, se possível, oficialize-o por lei ou decreto.
    2. Nome próprioNão apenas descritivo: "Festival da Primavera" (Pomerode/SC) foi indeferido.
    3. Deposite antes de anunciar parceirosQuando pertinente: em regra, classe 41 (eventos) e, se for o caso, 35 (feiras) ou 43 (alimentação).
    4. Mantenha a marca em nome do enteA lei admite titular autorizado (art. 124, XIII): produtoras não podem registrá-la sem autorização.
    5. Mantenha o nomeentre edições e entre gestões.
    Evento oficial tem proteção em lei: nome, prêmio ou símbolo de evento oficial não pode ser registrado por terceiro sem autorização do organizador (LPI, art. 124, XIII; Manual de Marcas, item 5.11.12). A proteção depende de vigiar a RPI.
    E se um terceiro registrar primeiro?

    Três caminhos, conforme a fase

    1. Pedido ainda em exameOposição em 60 dias, com prova de que o evento é oficial e de que o nome é usado pelo Município (art. 124, XIII e XXIII).
    2. Uso anterior de boa-féSe o Município já usava o nome há pelo menos 6 meses antes do pedido do terceiro, para os mesmos serviços, pode reivindicar o direito de precedência, comprovando o uso e depositando pedido próprio (art. 129, § 1.º).
    3. Registro já concedidoNulidade administrativa em até 180 dias da concessão ou ação de nulidade em até 5 anos (arts. 169 e 174).
    Sem acompanhamento da RPI, esses prazos passam sem que o órgão perceba.
    Apelidos e nome da cidade

    Quando o nome da cidade entra na marca

    O nome da cidade pode compor a marca, com três cuidados:

    1. Não pode induzir falsa indicação de procedência(LPI, art. 181; Manual de Marcas, item 5.11.10).
    2. Somado a um termo comum, protege o conjuntoe não cada palavra isolada (Manual de Marcas, item 5.9.2).
    3. Apelidos exigem estudo de viabilidadeantes do lançamento, e nunca se registra um apelido da comunidade para impedir seu uso pelos moradores.
    "A marca de uma cidade pertence à cidade e de forma abrangente a todos aqueles que a compõem e a vivenciam" (OLIVEIRA; REIS, 2013, p. 233).
    Ferramentas

    Checklist, modelos e referências

    Para usar no processo administrativo do sinal. O checklist fica salvo neste navegador.

    Checklist antes do protocolo

    0 de 19 itens

    Glossário
    Modelos para copiar

    Despacho, ficha e termo de transição

    Redação meramente sugestiva: adapte à regulamentação e à praxe locais.

    Despacho autorizativo da autoridade competente
    Considerando o interesse público na proteção do sinal distintivo [nome da marca], utilizado em [programa, evento ou serviço] desde [ano], sem referência a nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores (art. 37, § 1.º, da Constituição Federal); considerando a legitimidade do [Município de X] para requerer o registro (art. 128 da Lei n.º 9.279/1996) e a redução de 50% prevista na Portaria INPI/PR n.º 10/2025 para órgãos públicos em atos próprios;
    
    AUTORIZO o depósito do pedido de registro nas classes [números], e o pagamento das retribuições correspondentes, no valor total de R$ [valor], à conta da dotação [ação / natureza da despesa / fonte], e DESIGNO [nome e cargo] como responsável pelo acompanhamento do processo na Revista da Propriedade Industrial.
    
    [Local], [data].
    [Nome]
    [Prefeito Municipal / Presidente da Câmara Municipal]
    Ficha de controle do processo
    FICHA DE CONTROLE DE MARCA
    
    Marca: [nome]
    Titular: [Município ou Câmara]  CNPJ: [número]
    Processo(s) no INPI: [número]
    Classe(s): [número]
    Data do protocolo: [data]
    Situação: protocolado, ainda não concedido
    Responsável pelo acompanhamento: [nome e setor]
    Suplente: [nome e setor]
    
    Próximo prazo: [despacho, RPI, data-limite]
    Renovação prevista para: [mês/ano] (alerta 18 meses antes)
    Termo de transição de marcas
    TERMO DE TRANSIÇÃO DE MARCAS
    [Prefeitura Municipal / Câmara Municipal de X]
    
    1. Marcas do órgão (uma linha por processo):
       marca | processo | classe | situação | próximo prazo nos próximos 6 meses
    
    2. Cadastro no e-INPI: responsável pelo acesso, suplente e e-mail cadastrado (o acesso pertence ao órgão; não registre a senha, que é pessoal).
    
    3. Procurações vigentes e seus outorgados.
    
    4. Renovações previstas no calendário e no orçamento.
    
    5. Responsável que sai: [nome, cargo]
       Responsável que entra: [nome, cargo]
       Suplente: [nome, cargo]
    
    Ciência da autoridade que assume: [nome, cargo]
    [Local], [data].
    Modelo montado a partir do capítulo 18 do guia.
    Perguntas frequentes
    Precisa de lei autorizativa?

    Não para depositar e pagar a marca própria. A lei só entra em casos pontuais, como instituir símbolos oficiais ou licenciar com contrapartida, conforme a lei local.

    É preciso advogado?

    Não. O ato não é privativo de advogado, e um servidor designado pode conduzir o pedido. Ainda assim, é altamente recomendável que seja feito por um jurídico especializado na área.

    Sem registro, não há proteção?

    Há alguma: a LPI impede que terceiros registrem, sem autorização, a sigla de órgão público (art. 124, IV) e o nome de evento oficial (art. 124, XIII). Mas o registro facilita a defesa (SOUZA; ROCHA, 2019; ANTONIO JUNIOR, 2021).

    Quanto tempo leva?

    Do depósito à decisão de mérito, a mediana é de cerca de 22 meses (22,1) sem oposição e de mais de quatro anos (52,6 meses) com oposição, nos processos da base em que o prazo pôde ser medido.

    A nova gestão pode trocar a marca?

    Pode, com justificativa técnica escrita. Trocar só para marcar a gestão fere a impessoalidade (CF, art. 37, § 1.º) e pode caracterizar improbidade administrativa (Lei n.º 8.429/1992, art. 11, XII).

    Como citar

    Guia: MAZZINI, Gabriel de Araújo. Marcas públicas municipais: guia de boas práticas para prefeituras e câmaras municipais. Campo Grande: PROFNIT/IFMS, 2026.

    Base de dados: MAZZINI, Gabriel de Araújo. Pesquisa nível Brasil: marcas públicas municipais. Base de processos de prefeituras e câmaras municipais publicados nas RPIs n.º 2.296 a 2.869. Campo Grande: PROFNIT/IFMS, 2026. Planilha eletrônica.

    Este site orienta, mas não substitui uma análise técnica e jurídica do caso concreto. Taxas e sistemas do INPI mudam: confira sempre a versão vigente.
    Referências

    ALMEIDA, Virgínia Maria Soares de; CRUZ, Tânia Cristina da Silva. Desafios na gestão de marcas de instituições públicas de ensino superior: o caso da Universidade de Brasília. Cadernos de Prospecção, Salvador, v. 19, n. 1, p. 112-124, jan./mar. 2026.

    ANTONIO JUNIOR, Valter Farid. Marcas da Administração Pública: exploração econômica, mecanismos de proteção e reparação de danos materiais e morais. 2021. Tese (Doutorado em Direito Civil), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2021.

    BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988.

    BRASIL. Decreto n.º 12.807, de 29 de dezembro de 2025. Atualiza os valores estabelecidos na Lei n.º 14.133/2021. Brasília, DF, 2025.

    BRASIL. Lei n.º 4.320, de 17 de março de 1964. Normas gerais de direito financeiro. Brasília, DF, 1964.

    BRASIL. Lei n.º 8.429, de 2 de junho de 1992. Improbidade administrativa. Brasília, DF, 1992.

    BRASIL. Lei n.º 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. Brasília, DF, 1996.

    BRASIL. Lei n.º 9.504, de 30 de setembro de 1997. Normas para as eleições. Brasília, DF, 1997.

    BRASIL. Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Brasília, DF, 2002.

    BRASIL. Lei Complementar n.º 101, de 4 de maio de 2000. Responsabilidade na gestão fiscal. Brasília, DF, 2000.

    BRASIL. Lei n.º 11.107, de 6 de abril de 2005. Consórcios públicos. Brasília, DF, 2005.

    BRASIL. Lei n.º 14.133, de 1.º de abril de 2021. Licitações e Contratos Administrativos. Brasília, DF, 2021.

    BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Portaria GM/MDIC n.º 110, de 5 de maio de 2025. Tabela de retribuições do INPI. Brasília, DF, 2025.

    BRASIL. Secretaria do Tesouro Nacional; Secretaria de Orçamento Federal. Portaria Interministerial n.º 163, de 4 de maio de 2001. Brasília, DF, 2001.

    BRASIL. Tribunal de Contas da União. Acórdão n.º 1.646/2007, Plenário. Relator: Ministro Marcos Bemquerer Costa. Brasília, DF, 8 ago. 2007.

    CAMBORIÚ. Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável. Termo de Referência n.º 056/2025/SMDES: registro das marcas AMABILÍSSIMO e CAMBORIÚ PURA ENERGIA no INPI. Camboriú, 8 set. 2025.

    CAMPINA GRANDE. Prefeitura Municipal. Consulta pública: Maior São João do Mundo 2022. Campina Grande: PMCG, 2022.

    INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Demográfico 2022: população e domicílios. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.

    INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Estimativas da população residente no Brasil e unidades da federação com data de referência em 1º de julho de 2026. Rio de Janeiro: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais, 2026. Publicadas no Diário Oficial da União.

    INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI). Portaria INPI/PR n.º 8, de 17 de janeiro de 2022. Rio de Janeiro: INPI, 2022.

    INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI). INPI reitera informação sobre isenção do pagamento da taxa de concessão em marcas. Brasília, DF: INPI, 5 dez. 2025a.

    INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI). Classificação Internacional de Produtos e Serviços para o Registro de Marcas (NCL): 12. ed., versão 2025. Rio de Janeiro: INPI, 2025b.

    INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI). Portaria INPI/PR n.º 10, de 9 de maio de 2025. Nova Tabela de Retribuições. Rio de Janeiro: INPI, 2025c.

    INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI). Manual de Marcas. Rio de Janeiro: INPI, 2026.

    INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI). Revista da Propriedade Industrial: seção de marcas, n.º 2.296 a 2.900. Rio de Janeiro: INPI, 2015 a 2026.

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    MATO GROSSO DO SUL. Tribunal de Contas do Estado. Plano de contas aplicado ao setor público (PCASP): exercício 2026. Campo Grande: TCE-MS, 2025.

    MEDEIROS, João Paulo. Empresa registra marca com nome do São João de Campina Grande e prefeitura estuda entrar na Justiça. Jornal da Paraíba, João Pessoa, 28 jun. 2021.

    MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA (MPC/SC). MPC orienta gestores públicos municipais sobre uso de logomarcas e slogans como forma de promoção pessoal. Florianópolis: MPC/SC, 18 nov. 2021.

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